Em primeiro lugar é necessário um equipamento de gravação com entrada para um microfone (ou dois em caso de equipamento estereofônico). Eu utilizo um ipod, cujo firmware (software que controla o equipamento) foi alterado para ter acesso a mais funções, incluindo a de gravação. Descreverei em detalhes como isso pode ser feito.
Para cada tipo de equipamento de gravação é necessário um circuito pré-amplificador apropriado para ajuste de impedâncias. Pronto! Começaram os termos técnicos! Não se assustem, explicarei isso de forma mais simples. Impedância é basicamente a resistência interna de um circuito e é necessário que essa impedância seja compatível com o circuito seguinte para que haja a melhor transferência de energia entre os circuitos. O próprio microfone é considerado um circuito, tem uma impedância determinada de acordo com o seu tipo.
Microfone… Esse é o elemento que transforma a variação da pressão do ar em energia elétrica, ou seja transforma as ondas sonoras em um sinal elétrico que varia de freqüencia de acordo com o som. Existem vários tipos, desde os mais simples até alguns extremamente sofisticados e caríssimos. Entre outros existem microfones de carvão, magnéticos, de cristal, etc. Um tipo muito comum, utilizado em celulares, computadores e outros equipamentos é o microfone de eletreto.
http://mig.pand.googlepages.com/Condenser_Microphone.jpg http://pt.wikipedia.org/wiki/Eletreto Esse microfone tem uma excelente resposta em todo o espectro audível, porém, ele é omnidirecional, capta sinais de (quase) todas as direções. Essa característica, aliada a alta sensibilidade do mesmo, faz com que ele capte ruídos tornando-o não muito prático para nós. Portanto precisamos de um concentrador parabólico.
Chegamos à tigela da cozinha! Hein? Como? Pois é, até uma tigela redonda pode ser usada para isso! No meu caso utilizei um refletor de uma lamparina a gás, daquelas de acampamentos. Pode-se utilizar diversos materiais, plástico, metal, até cerâmica, mas cada material tem característica diferentes de reflectância do som. Plástico, cerâmica, e afins podem absorver um tanto do som, enquanto vidro, metal, etc, podem ter um efeito de acentuar certas faixas de freqüencia. O meu refletor é de metal e não tenho queixas. O tamanho do refletor depende de quanto cada um malha! he he he Você não vai querer carregar uma parabólica de 2m subindo um morro, não é? Esse é o item que requer criatividade.
A necessidade é mãe da criatividade. Escolher o concentrador parabólico vai depender do material disponível, mas deve-se levar em consideração o tamanho que não pode ser pequeno demais pois não teria efeito sobre a forma de captação do som, nem muito raso, pois não isolaria os sons laterais. Também é necessário prever uma forma de construir a engenhoca de modo a permitir substituir os componentes em caso de não funcionar de acordo. Ou seja, melhor começar com um protótipo, fazer testes, melhorias e correções, para daí partir para o modelo definitivo. Improvisar só enquanto é protótipo!!!
Improvisar também pode ser bom quando não se tem prática em montagem de circuitos eletrônicos. O melhor improviso é aquele amigo CDF, professor pardal, que entende um pouco do assunto (ou até bastante). Uma dica: gosto de fazer amigos! ;)
Paciência!!! Não tente apressar o rio, ele corre sozinho! Por mais ansioso que você possa ficar em ver tudo pronto, sempre faça tudo com calma. Soldar componentes eletrônicos requer mão firme, olhos bons (essas porcarias estão cada vez menores, ou eu é que estou ficando velho mesmo), e cuidados para não se queimar ou aspirar gases tóxicos. Paciência também é boa para aguardar a continuação desse artigo!
P P P P Por hoje é s s só p p p pessoal! (lembram do gaguinho?)